27 de agosto de 2010

Ray Bradbury completa 90 anos

ray90a Conheci Bradbury há alguns anos, quando a capa de Fahrenheit 451 me chamou a atenção na biblioteca da escola onde havia estudado. Se aconselham que não se compre um livro pela capa, devo dizer que foi justamente por este motivo que decidi ler Bradbury, e de cara me tornei seu fã. Não que isso aconteça sempre, mas, às vezes, algo conspira para que, acertadamente, se quebre algumas regras, e a leitura de Bradbury me tirou de um marasmo, onde quase tudo era homogêneo e estático.

Há piores coisas que queimar livros, uma delas é não lê-los.

- Ray Bradbury

Fahrenheit 451 era, na época, diferente de tudo que já havia lido. Um livro onde é narrado um futuro no qual os livros são o bem mais danoso que uma pessoa pode ter – e na realidade não pode – e onde os bombeiros existem tão somente para queimá-los. Somente por isso, a obra quebrava regras e conceitos que eu, na época um ingênuo adolescente, considerava, mesmo que inconscientemente, imutáveis. Para não falar da estranheza entre Montag, o personagem principal, e sua esposa, da forma como são alheios entre si justamente pelo fato de ela se sentir completamente à vontade em um mundo do qual ele não faz parte; e o embate de forças entre o mesmo Montag e Faber, seu superior, uma alegoria das mais geniais, que apenas uma mente tão brilhante quanto a de Bradbury poderia criar, um duelo entre lápis e papel numa sociedade culturalmente ferrada, onde um simples encontro com uma moça “desajustada” faz com que Montag abra seus olhos para a realidade ao seu redor.

"Meu trabalho é fazer vocês ficarem apaixonados".

- Ray Bradbury

Depois disso li mais alguma coisa de Bradbury, basicamente alguns contos isolados, e busquei saber mais sobre a vida do escritor. Ray Douglas Bradbury nasceu em Waukegan, Illinois, em 22 de agosto de 1920, concluiu seus estudos formais em 1938, porém continuou estudando como autodidata. Seu primeiro conto, Hollerbochen’s Dilemma, foi publicado entre 38 e 39; em 46 teve seu primeiro conto incluído na tradicional antologia Best American Short Stories, fato que se repetiria em 48 e 52. Em 1950 lançou Crônicas Marcianas, tendo recebido no ano seguinte o Benjamim Franklin Awards, por seus contos. Fahrenheit 451, livro que lhe deu fama mundial, foi lançado em 1953. Em 1956, Bradbury ganhou o Oscar pelo roteiro de Moby Dick. Autor prolífico, foi agraciado com diversos prêmios durante toda a sua carreira. Sua obra mais recente foi Let’s all kill Constance, de 2002.

Bradbury, para mim, é um dos poucos escritores ainda vivos cuja leitura é obrigatória. Vida longa ao Ray!

Somos uma impossibilidade em um universo impossível.

- Ray Bradbury

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Para celebrar a data, diversos eventos estão previstos, dentre eles a  Ray Bradbury’s Week, que acontece em Los Angeles de 22 a 28 de agosto, e pode ser acompanhada pelo Facebook.

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> Esta postagem deveria ter sido publicada no dia 22 deste mês, mas sabe-se lá o motivo, o Blogger decidiu consumí-la.

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Oscar