8 de abril de 2011

Hoje é dia de, novamente, esquecer um livro

Hoje, novamente, esqueci um livro, por conta do BookCrossing blogueiro, excelente iniciativa da Isadora, do blog Tantos Caminhos, inspirada por este post da Luma, do Luz de Luma. Na primeira edição, realizada no dia 8 de Novembro, diversos blogueiros participaram, tornando o evento um sucesso. Agora fomos convidados novamente a esquecer solidariamente um livro, para que ele possa proporcionar a um terceiro a mesma gama de emoções e descobertas que tivemos com sua leitura, e ana por cima praticarmos a bela atividade do desapego.

Na edição anterior, esqueci meu exemplar de As Crônicas Marcianas, de Ray Bradbury, em uma praça aqui da minha cidade. Desta vez o esquecido foi Espinheiro (Briarpatch; 1984) de Ross Thomas. Comprei este livro há alguns anos, mas apenas o li no ano passado. É um romance policial clássico, escrito por um de seus maiores mestres, e conta uma história que envolve, como todo clássico noir, traições, mulheres e bebidas (mas tratado com bom gosto, claro). Um dos autores policiais mais prestigiados de seu tempo, Thomas ganhou, nas décadas de 60 a 90, diversos prêmios importantes, incluindo dois Edgar Allan Poe Awards, angariando inclusive uma legião de fãs fiéis, que aguardavam ansiosamente por seus lançamentos.

Eu o deixei na recepção da Divisão de Assistência Social da cidade, e espero que quem o encontrar goste de sua leitura assim como eu gostei.

A Isadora, idealizadora da iniciativa, já esqueceu o dela. Veja aqui.

Vou ficar devendo a foto, que foi tirada pelo celular e agora não tenho como subí-la. À noite atualizo a postagem.

18 comentários:

  1. Oi Luciano, obrigada por estar junto conosco e tornar essa iniciativa viável. Obrigada pela divulgação e pelo carinho.
    Tenho certeza que aquele que encontrar o livro terá um dia mais alegre. E precisamos mesmo, pois o que toma conta de nós nesse momento é um enorme pesar.
    Um beijo

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  2. Isadora,

    Em tempos tão difíceis, participar de uma boa ação tem um significado ainda mais especial. Espero sinceramente que quem o encontre se alegre com isso.

    Parabéns mais uma vez pela iniciativa, e conte com a gente ;)

    Grande abraço.

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  3. Olá, Luciano
    A leitura edifica a quem o faz...
    Vc contribuiu para elevar uma alma que aprecia esse modo de se construir aos poucos...
    Abraços fraternos de paz e excelente fim de semana.

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  4. Concordo com você, a leitura edifica a pesoa que lê; e é sempre muito bom participar de iniciativas como esta, já fico no aguardo da próxima.

    Grande abraço, e bom fim de semana.

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  5. Às vezes, acho que meu espírito solidário anda ou sempre andou em baixa, a despeito de tantos livros que doei para a biblioteca, dentre doações de outras espécies que já realizei. E há muito que percebi o quanto “projetos” singulares de estímulo à leitura da categoria “Esqueça um livro” estão cada vez mais comuns, promovidos por diversos sites. Para me permitir a “esquecer” um livro, é necessário que seja uma edição repetida ou que substitua devidamente a anterior que eu tinha (uma nova edição da mesma obra, com tradução melhor, etc.), da qual me desvencilharei. E é preciso selecionar com cautela o lugar onde deixar o livro, onde se ofereça o menor risco de destruição e perda do mesmo: houve casos particulares na minha cidade de livros jogados no lixo, inclusive obras literárias, sendo que um amigo já foi um dos felizardos(?) em encontrar um livro em tal estado, saindo no lucro.

    Porém, o mais revoltante são descalabros cujos maiores responsáveis diretos são a própria administração pública, como dois casos que merecem particular atenção: a biblioteca municipal da cidade recebeu mais de mil doações da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (creio se tratar de um projeto a nível nacional, pois outros municípios também foram contemplados com tais doações de exemplares), livros novinhos em folha, muitos obras literárias de primeira grandeza, no entanto a administradora da biblioteca, cujo poder só está abaixo do Secretário de Cultura, bloqueou todos os empréstimos destas edições e de quaisquer outros exemplares que sejam únicos (ou seja, a imensa maioria do acervo), por motivos esdrúxulos (já peguei brigas com ela, claro, até postei a respeito no meu blog e dei uma entrevista para um site local), demonstrando pouco conhecimento acerca da gerência de uma biblioteca pública, misturando rixas pessoais com sua atuação profissional e travando o acesso democrático ao conhecimento, além de transformar a biblioteca em praticamente um depósito de livros, o que até favorece o surgimento de fungos e insetos nocivos aos mesmos, já que raramente são retirados das prateleiras (e isso é só uma parte do impasse); e ano passado, uma diretora inepta e ignorante, de uma escola municipal ou estadual, não me lembro ao certo, jogou fora um monte de livros, que ficaram espalhados no meio da rua e, felizmente, foram aproveitados por alguns, pena que nem deu pra mim, fui avisado tardiamente da notícia.

    Mas também venho aqui para divulgar meu novo blog, dedicado exclusivamente aos meus textos de cunho pessoal e (pseudo)literário, hehe; inaugurei-o ontem:

    http://intimisms.tumblr.com

    Abração!

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  6. Só uma observação, a fim de evitar ambiguidade: a biblioteca a qual doei vários de meus livros não é esta vítima da administradora despótica, e sim outra, também pública, pertencente à CHESF, que funciona de verdade, a serviço de todos e sem restrições quanto ao empréstimo de obras literárias.

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  7. Jorge,

    Não é fácil abrir mão de um livro, mesmo se já o li diversas vezes, e, talvez por isso, o gesto seja tão nobre. É mesmo um exercício do desapêgo. Por aqui também já tivemos problemas com a gestão da biblioteca pública, coisas relacionadas ao funcionamento e política de empréstimos, mas que foram resolvidas com uma mudança de funcionários. Já a questão de não se emprestar obras que só tenham um único exemplar, é um argumento ridículo, e fará simplesmente com que a biblioteca seja, como você bem disse, um depósito de livros. Uma nova postura tem de ser tomada. Para a maioria das pessoas a biblioteca não é um lugar atraente, então deve-se buscar cativar possíveis leitores, e não travar brigas e cultivar rixas. E jogar livros no lixo é o fim. Como diz a frase de Heinrich Heine que fica estampada aí em cima, "Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas".

    Grande abraço, vou conferir o blog.

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  8. Concordo plenamente contigo, Luciano. O argumento do exemplar único para restringir o empréstimo dos mesmos é extremamente ridículo, visto que se trata de uma biblioteca pública e não haver condições do acervo ter mais de um exemplar por edição justamente pelas limitações financeiras, além de revelar no mínimo ignorância, mesquinharia ou razões escusas por parte de quem se serve dele para defender tal decisão; é um desserviço à cultura, um desestímulo à leitura, sobretudo quando, como você mesmo ressaltou, as bibliotecas não são lugares atraentes para a maioria das pessoas e boa parte tantos de quem já é leitor assíduo ou não estão tomados por outras ocupações no horário de expediente das mesmas - pelo menos aqui as bibliotecas públicas só são abertas durante à manhã e à tarde -, como trabalho e estudo, e sob tais circunstâncias não há mesmo condições de se ler, por exemplo, uma volumosa obra literária dentro da biblioteca.

    Aliás, ressalte-se que esta nem oferece estrutura agradável para leitura e estudo em seu interior, pois virou também um depósito de outros objetos ligados a desfiles e atividades culturais afins promovidos pela Prefeitura, "assaltando" espaço que deveria ser restrito àquela atividade, além de ser o lugar onde são ministradas aulas de alguns dos cursos gratuitos, de violão e outros instrumentos, porque a Prefeitura (mais uma vez ela!) não arranjou até agora um espaço de fato apropriado para as mesmas (leia-se: para não gastar mais dinheiro, mas pelo menos não perder a boquinha de ser considerada mecenas, daí o mal planejamento destes cursos).

    Bem, falei demais, mas pelo menos expus bem a situação lastimável daqui. Só mais uma: habilitei os comentários no meu novo blog. Abração!

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  9. Jorge,

    Apesar de tão distantes, nossas cidades padecem de mal semelhante: na biblioteca daqui também são ministradas aulas - a biblioteca do único colégio serve, em boa parte do dia, como sala de aula, ficando impossível visitá-la. É mesmo retrato de uma falta de planejamento por parte do poder público, que tudo faz e promete na hora de assinar convênio, mas que, depois de consumado o fato, pouco faz para mudar a situação - ou cumprir o acordado.

    Abração.

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  10. Olá Luciano,

    Obrigada pela visita.
    Essa iniciativa de Esquecer um Livro é tão prazerosa para quem doa o livro como deve ser ´para quem o encontra, não é mesmo?

    Eu confesso que nunca fui apegada a livros. Adoro, leio muitos, mas passo para frente. Sempre achei que livros para ficar na estante sao somente aqueles especificos, de consulta,por exemplo. Por isso mesmo, leio muitos livros emprestados, quase nunca compro.

    A Cabana é um livro lindo na minha opinião, mas já ouvi muita gente dizer que nao o entendeu profundamente e por isso mesmo, retoma a leitura uma segunda vez. Acho que vale a pena mesmo!
    Um grande abraço.

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  11. Olá Luciano
    Agradeço a sua visita e parabéns pela sua participação nesta empreitada.
    Milan Kundera é um autor excelente e considero o livro A Insustentável leveza do ser o meu favorito.

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  12. Preciso evoluir muito ainda no desapego, porque só consigo me imaginar deixando livros que não sejam vitais para mim e aí vem o paradoxo... não seriam livros que enxergo como tendo potencial de trazer algo de relevante para vida de outras pessoas... mas acho a iniciativa bárbara. sei que uma hora dessas vou conseguir aderir...

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  13. Lu,

    Eu sou bastante apegado, então participar do BookCrossing é um exercício e tanto para mim, mas que me satisfaz de uma maneira que não achava que satisfaria. Quanto à A Cabana, eu realmente terei que fazer uma segunda leitura, já que a primeira não me caiu muito bem.


    Grande abraço!

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  14. Olá pensandoemfamilia, sempre ouvi falarem muito bem de Milan Kundera, quero muito ainda ler algo dele.

    Abraços.

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  15. Maurem,

    É um exercício de desapego, e não digo que seja fácil, mas, no fim, é prazeroso, ainda mais porque sempre tento esquecer livros dos quais gostei, pois considero - e aí posso cometer um erro, pois meu gosto, às vezes, é bem estranho, diga-se de passagem - que quem encontrá-lo também gostará de sua leitura. Um dia, tenho certeza, você estará participando :D

    Grande abraço.

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  16. Você realmente gosta de um romance policial com muito suspense ;) Não conhecia o autor e achei bem interessante o que li sobre ele na web. Realmente soube aproveitar a sua experiência anterior para dar impulso na carreira de escritor.

    "Só os jovens com muito pouco passado abraçam espontaneamente o novo sem protestar" (Ross Thomas)

    Boa semana! Beijus,

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  17. Ah, a frase achei em "Espinheiro".

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  18. Luma,

    Ross Thomas escreve como poucos, infelizmente dele só li Espinheiro, que saiu pela Coleção Negra, da Record. Esta frase - ótima, por sinal - é de um dos melhores parágrafos do livro, presente no terceiro capítulo, até o transcrevi num post que fiz quando comecei a ler Espinheiro:

    "Dill ficou surpreso ao descobrir que na verdade não se importava com as mudanças ocorridas (…) Você precisa ser um tanto velho para desconfiar das mudanças (…) Mudanças marcam a passagem do tempo e só os jovens com muito pouco passado abraçam espontaneamente o novo sem protestar – apenas os muito jovens e aqueles que se estabelecem para lucrar com ele."

    Ross Thomas sabe das coisas.

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Oscar