7 de novembro de 2011

Land Girls – Primeira Temporada

Land Girls

O Women’s Land Army surgiu em 1917, criado pelo então ministro inglês da Agricultura, Roland Prothero, como uma alternativa para combater a escassez de alimentos durante a Primeira Guerra Mundial, causada principalmente pela falta de mão-de-obra masculina nos campos, uma vez que haviam partido para a guerra. Assim, o WLA – também conhecido como The Forgotten Army – recrutava moças dispostas a trabalhar no campo, em funções antes desempenhadas pelos homens, a fim de abastecer o país.

Durante a 2ª Grande Guerra, o WLA foi novamente formado, primeiramente aceitando voluntárias, e, depois, também por meio de recrutamento. Estima-se que, em 1944, eram mais de 80 mil mulheres trabalhando nos campos, longe de suas famílias, em situações muitas vezes incômodas, tendo, inclusive, de dividir o campo de trabalho com prisioneiros de guerra.

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Criada em comemoração aos 70 anos da Segunda Guerra Mundial, Land Girls trata justamente da vida de quatro mulheres, que partem para o campo acreditando que aquele é seu dever para com a nação. Lá, encontram trabalho duro e condições de vida bem diferentes com as quais estavam acostumadas, ao mesmo tempo em que precisam lutar contra o medo de uma guerra cada vez mais próxima, a saudade de casa e a preocupação com entes queridos que partiram para o front, e amores que inesperadamente possam surgir.

Com uma primeira temporada composta por cinco episódios, Land Girls foi criada e escrita por Roland Moore e produzida pela BBC. É um típico drama histórico do canal, que tenta mesclar cenas de drama com comédia, sem faltar a música de fundo que é como aquelas placas de “aplauso” dos programas de auditório de antigamente, apesar de o recurso não funcionar muito bem. A ambientação é bastante agradável – cenas rurais inglesas, e de época, são quase sempre bonitas de se ver, apesar de Manor House, a sede da fazenda onde trabalham, não ter um décimo do charme de Downton Abbey, da concorrente iTV – mas muitas vezes destoa do período de guerra, com cenas de camaradagem com muitos risos e até mesmo romances com soldados americanos, que só parece ser notado pelas Land Girls quando recebem uma carta de um parente, quando um avião sobrevoa a região ou ao saber notícias da guerra. Fica estranho, é como se, com o trabalho no campo, ficassem completamente abstraídas de tudo o mais, não acredito que na época as coisas funcionassem assim.

Land Girls

Falando um pouco sobre os personagens, não sei se foi intenção do roteirista, mas detestei uma delas desde que a vi, com seu ar pedante e boca grande, falando nos momentos mais inoportunos, sem se importar com o sentimento alheio. Trata-se de Nancy Morrel, interpretada por Summer Strallen, que me pareceu um tanto quanto fútil, como se todo seu personagem tivesse sido criado sobre um grande cliché de uma moça da cidade trabalhando nos campos, com uma queda pelo “patrão”, o fraco Lord Howard Hoxley. Também não fui muito com a cara de Bea Holloway (Jo Woodcock), e toda sua pretensa independência, que acaba por deixá-la em maus lençóis, e nem por isso passei a simpatizar com ela.

Por outro lado, simpatizei bastante com a personagem de Christine Bottomley, Annie Barrat, irmã de Bea, que sofre pelo marido que partiu para o front, apesar de, no decorrer da história, ficarmos sabendo o motivo de tanta angústia. Annie me encanta pela preocupação e cuidado que tem com sua irmã, uma adolescente inconsequente de 17 anos, que é teimosa, birrenta e se acha dona do próprio nariz. Porém, dentre as Land Girls, minha preferida é Joyce Fisher (interpretada pela simpática até dizer chega Becci Gemmell), que vive uma mulher casada, que perdera a família e a casa em um bombardeio, e cujo maior orgulho é o marido, que conseguira entrar para a RAF; e que trará a ela muitas preocupações.

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Mas se as Land Girls vão morar no campo, tem de morar com alguém. Assim ficamos conhecendo Lady Ellen Hoxley, que administra um fundo para ajudar na guerra, e “coordena” as Land Girls em suas terras. Lady Hoxley (Sophie Ward) é uma das piores vilãs que já vi na tv, ao mesmo tempo em que é encantadora, já que usa de psicologia para atormentar suas vítimas, em especial seu marido, Lord Howard Hoxley, um herói de guerra que fora ferido em combate, ficando incapacitado para voltar ao front,  ou isso é o que pensamos.

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O “coordena” as Land Girls veio entre aspas por um motivo: quem cuida das meninas é Esther Reeves, interpretada por Susan Cookson, uma fazendeira cujo marido se encontra preso em um campo de prisioneiros inimigo, que tem a difícil missão de manter as garotas sob controle, ao mesmo tempo em que cuida do filho, o garoto Martin. Esther é o personagem que mais gosto na série, pois fica sempre presa entre o sentimentos que nutre pelas garotas e o rígido regulamento das Land Girls, o que, constantemente, a testará. Sem contar que ela ainda tem de conviver com Frederick Finch (Mark Benton), o fazendeiro que se esforça para manter tudo funcionando e, por que não, ganhar algum dinheiro no mercado negro. É também o responsável pelas cenas cômicas da série, e não simpatizava com ele até ter assistido metade dos episódios, quando passei a entendê-lo, e ver que, do seu jeito – e com Martin como cúmplice – tenta fazer o que é certo.

Ainda temos Billy Finch (Liam Boyle), filho de Frederick, que é apaixonado por Bea mas não tem coragem de se declarar, apesar de ter uma chance de comprovar todo seu amor até o final da temporada; e o Sargento Dennis Tucker (achei Danny Webb um ótimo ator), responsável por manter a ordem nas redondezas, assim como espalhar, involuntariamente, graças a suas neuroses de guerra, o pânico e teorias conspiratórias. No início você até compreende seu modo de proceder, são tempos de guerra, mas ele acaba surtando.

O post já esta enorme, então vamos concluir.  Comecei a assistir Land Girls comparando-a com a primeira temporada de Downton Abbey, o que foi um erro. Apesar de serem, ambas, dramas históricos, não são semelhantes em quase nada. Ainda assim, Land Girls não tem o charme de Downton, e, devido ao número reduzido de episódios, é um pouco difícil acompanhar o correr dos acontecimentos, sem contar que, encerrando cada episódio em um clímax, no seguinte já vemos a situação resolvida, sem que maiores explicações sejam dadas, limitando-se a uma ou duas falas dos personagens.

Esperava um pouco mais, mas no final até que a série me satisfez. O autor soube lançar no ar itens o suficiente para que ficasse ansioso para assistir a segunda temporada. Espero que ela seja um pouco melhor.

:: Mais sobre o Women’s Land Army aqui e aqui.

 

Land Girls (Land Girls – UK, 2009) Criada por Roland Moore. Roteiro de Roland Moore e Dominique Moloney. Dirigida por Steve Hughes, Daniel Wilson e Paul Gibson. Com Becci Gemmell, Jo Woodcock, Susan Cookson, Mark Benton, Lia Boyle, Mykola Allen, Danny Webb, Sophie Ward, Summer Strallen, Christine Bottomley. BBC Drama Group.

{C+}

2 comentários:

  1. Nossa, eu achei muito interessante a ideia dessa série. Adoro tudo que é relacionado à Segunda Guerra Mundial, e gostei muito de saber dessa novidade. Vou procurar assistir!

    Beijos

    Lu Tazinazzo
    http://aceitaumleite.blogspot.com/

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  2. Lu,

    Também é um tema que me atrai bastante, e os programas da BBC sempre merecem atenção. Land Girls não é uma obra prima, mas nem por isso deve ser deixado de lado. Com certeza asistirei a segunda temporada.

    Beijos.

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