1 de novembro de 2012

O Mundo de Downton Abbey [Resenha #080]

O Mundo de Downton AbbeySinopse: O sol nasce por trás de Downton Abbey, uma casa grandiosa e esplêndida em um terreno grandioso e esplêndido. A casa parece tão segura de si que dá a impressão de que o modo de vida que ela representa irá durar mais mil anos. Mas isso não acontecerá. O Mundo de Downton Abbey é o guia oficial das duas primeiras temporadas da série televisiva que virou uma verdadeira febre na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos ao contar a história da aristocrática família Crawley e seus criados, em uma suntuosa residência campestre da Inglaterra. Além de encantar os fãs com fotos exclusivas de bastidores, depoimentos dos atores e da equipe técnica, o livro oferece um retrato muito vibrante daquele período de grandes mudanças (1912-1919). Cada capítulo trata de um tema, como vida familiar, romance, sociedade, criadagem, guerra, e é caprichosamente ilustrado com fotos antigas, artigos de jornal, partituras, anúncios e muito mais. Tudo para permitir que o leitor conheça melhor o contexto dos acontecimentos da trama, descubra os personagens reais que serviram de inspiração para a ficção e se encante com saborosos relatos da época.

Downton Abbey é a série de maior sucesso na Inglaterra em muito tempo. Exibida pela ITV, possui uma audiência expressiva, incomodando a tradicional BBC mesmo na exibição dos especiais de Natais, e conseguiu causar furor até mesmo no mercado americano. com sua terceira temporada em exibição, segue conseguindo bons índices de audiência, voltando à essência da série que foi um pouco perdida durante a segunda temporada – assunto para um outro post.

Como fã fiel, fiquei eufórico quando soube do lançamento deste guia aqui no Brasil, e o grande momento chegou ;)

Highclere  Highclere Castle, propriedade que serve de cenário para a Downton Abbey da série

Para quem não conhece ou não está familiarizado com a série, vou tentar contar um pouco da história sem me alongar. A família Crawley é a proprietária de Downton Abbey há séculos, uma imensa e imponente propriedade rural, cercada por um cenário deslumbrante. A série acompanha a rotina da família e de seus empregados, tratando do paradoxo que é a distância com que os patrões se relacionam com seus funcionários, e do fervor e orgulho que estes sentem ao trabalhar para eles.

A primeira temporada se inicia com o anúncio do naufrágio do Titanic, que acabou por vitimar o herdeiro da propriedade, um primo – se não me engano – do conde, que se casaria com a primogênita da família, Mary. Na época, nos casos de sucessão e herança, regia a primogenitura, ou seja, apenas o filho mais velho herdava os bens de seus pais; assim como a diretriz de vínculo, onde todas as propriedades eram vinculadas à herança, sobrando para os outros herdeiros quantias simbólicas. Apesar de parecer injusto, este sistema é o que permitia a perpetuação da fortuna das famílias e suas propriedades, o que mantinha seu nome através dos tempos. Os demais herdeiros podiam esperar somente fazer um bom casamento.

Quando Robert Crawley herdou Downton Abbey, ela estava arruinada, precisava de dinheiro, e sua única opção foi procurar um casamento por conveniência com uma das buccaneers, as americanas ricas sem lugar na sociedade de seu país que partiam para a Inglaterra em busca de maridos da aristocracia, que lhes garantiriam um lugar na sociedade em troca dos milhões de dólares em dote que elas traziam consigo, uma vez que nos Estados Unidos todos os filhos, mesmo as mulheres, tinham direito à herança.

Assim Robert, um conde falido, se casou com a milionária Cora, uma americana em busca de uma posição social. Um arranjo perfeito, ainda mais depois que se apaixonam durante o primeiro ano de casamento.

Mas o problema – e que nos leva ao desenrolar da série em si – é que Cora não deu ao seu marido filhos homens, então a propriedade teria de passar para o parente mais próximo do sexo masculino, assim como o título nobiliárquico e a fortuna de Cora, que fora atrelada á propriedade por meio da diretriz de vínculo.

E se digo que “Cora não deu” é por ser convencionado na época que qualquer deslize na geração e educação dos filhos era uma falta cometida pela mulher. Isso só aumenta o tom de hostilidade da relação de Cora com a Condessa Viúva, a sensacional Maggie Smith (que já ganhou dos prêmios Emmy em anos consecutivos por sua atuação na série), que a culpa pelo fracasso e, também, pelo simples fato de ela ser americana.

Pra resumir, é aí que entra Matthew Crawley, um primo distante e desconhecido da família, novo herdeiro da propriedade, que passa a morar no vilarejo para ir se familiarizando com as responsabilidades que, mesmo sem querer, terá de assumir; ao mesmo tempo em que tenta se entender com os recém-conhecidos parentes.

O livro trás os pormenores que fazem da série algo tão admirável: a relação patrão-empregado, os diversos empregados que circulam pela propriedade, cada qual com seu papel: mordomo, governanta, valetes, camareiras, cozinheira, arrumadeiras, ajudantes de cozinha, lacaios, motoristas, um verdadeiro exército que desempenha sua função com orgulho da profissão – mas não sem reclamar quando se sentem injustiçados – para manter um estilo de vida que, como o próprio conde relutantemente observa, não deve durar mais muito tempo.

2012-11-01 13.09.222012-11-01 13.09.32   À esquerda: fotos com os empregados. | À direita, a família Crawley.

2012-11-01 13.11.542012-11-01 13.10.13    O Conde e a Condessa de Grantham. | Mrs. Hughes, a governanta, e Mr. Carson, o mordomo.

2012-11-01 13.11.192012-11-01 13.13.56  Dame Maggie Smith, como a Condessa Viúva Violet Crawley. | E as filhas do conde: a revolucionária e feminista Sybil, a caçula; Mary, que se apoia nas tradições e mantém o foco em conseguir o que quer; e Edith, retratada na série como o patinho feio, sempre menosprezada por Mary.

Pensei em colocar mais imagens mas já peço desculpa por estas, estou sem câmera, e o celular não é dos melhores.

Bom, a edição é de luxo, com um acabamento caprichado e  todo este esmero salta aos olhos. Capa-dura, encadernação firme, e com a  costura arrematada por fios dourados! ela representa muito bem o glamour de uma época que a série se propõe a retratar, nós fãs agradecemos o compromisso da editora em manter a qualidade do produto.

São centenas de imagens e textos que vão desde material para a construção de uma sólida ambientação histórica até as pesquisas que levaram à confecção de cenários, roupas, objetos e recriação de costumes daquela época. Há de se destacar também os depoimentos dos atores e da equipe técnica, falando sobre seu envolvimento com a produção e sobre como vêm o trabalho que estão desenvolvendo.

Um dos mais interessantes é o da atriz Elizabeth McGovern, que interpreta a Condessa de Grantham. Ela, que é americana e vive na Inglaterra, diz que sente, mesmo nos dias atuais, uma certa reserva dos britânicos quanto à sua nacionalidade. Não que seja algo declarado ou hostil, mas está sempre ali, subentendido, e são por situações semelhantes que seu personagem passa na série, principalmente por parte de sua sogra.

Estas passagens humanizaram os atores e contribuíram para que a ligação com eles ficasse ainda mais estreita, assim como lança luz ao processo de produção de uma série de época tão bem trabalhada. Mas não se limita a isso. Os trechos em que são narrados o funcionamento das casas rurais como Downton Abbey, assim como os costumes da época e as transformações sociais pelas quais a Inglaterra passava no período em que a série se situa amplia a visão do leitor/telespectador sobre os fatos, o que é muito bem-vindo.

Com uma edição caprichadíssima, e abrangendo as duas primeiras temporadas da série, o livro é item obrigatório para quem acompanha a vida dos Crawley e seu empregados.

 


O Mundo de Downton Abbey
, de Jessica Fellowes (The World of Downton Abbey, 2011 Tradução de Paulo Polzonoff Junior, Bruno Fiuza, e Kvieta Morais, 2012) 309 páginas, ISBN 9788580572025,  Editora Intrínseca. [Comprar no Submarino]

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Downton Abbey está em sua terceira temporada. Aqui no Brasil a primeira temporada já pode ser encontrada em DVD.

15 comentários:

  1. Estou doida para começar a ver esta série, mas vou esperar um tempo ainda porque estou vendo Supernatural, e depois tem Dexter, e depois tem todos os outros livros que ainda preciso ler hehehe. Mas vi esse guia na livraria e é realmente apaixonante, imagino que se eu virar fã da série, vou querer um também.

    Abraço!

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    1. Lu, eu comecei a assistir por ter gostado muito do Assassinato em Gosford Park, e a série é do mesmo roteirista. Ela é viciante, muito bem produzida, mas sou suspeito pra falar, rs ;) O livro segue o mesmo padrão, muito bem finalizado.

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    2. Eu também gostei muito de Assassinato em Gosford Park e estou amando a série. Já comprei o livro, que é muito bom e vale cada centavo!

      Carla Manteuffel - Joinville/SC

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  2. Oi Luciano!
    Acredita que eu cheguei a baixar o Piloto da série, mas acabei desistindo de ver? :/ O que a falta de tempo não faz com a gente...
    Adoro quando as editoras capricham tanto nas edições, agora até eu fiquei babando para ter o livro mesmo sem conhecer a série. Como entender?

    Um beijo,
    Luara - Estante Vertical

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    1. Luara, eu já estava ansioso por ela antes de começar, então não perdi a oportunidade, rsrs. Vale muito a pena assistir, assim como ler o livro, que explica de forma mais detalhada o momento histórico no qual ela passa.

      Beijo ;)

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  3. Eu não conhecia a série, nem nunca tinha ouvido falar, mas parece ótima!!! Eu amo seriados e histórias intrincadas. Fiquei bem curiosa para assistir a primeira temporada. O guia deve ser lindo, todo fã deveria ter um. Já vi livros de filmes e acho o máximo, mas são raros e caros, esse é o porém ^^

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    1. Daniele, vale a pena ver a série, é muito boa. Os guias sempre são salgado mesmo, mas este está com um preço justo se se considerar o capricho do material. É perfeito para se conhecer mais sobre a produção e o período no qual se passa.

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  4. Desconhecia a série, mas sepois dessa resenha não tem como não me apaixonar pelo O Mundo de Downton Abbey. A tradição, o estilo da época, a vestimenta, o relacionamento patrão empregado e toda a história. Repetindo como sempre : Mais um que vai para minha lista.
    Excelente resenha e adorei as imagens que dão vida ao que é narrado.

    Beijos

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    1. Irene, a série é ótima, o livro é uma boa pedida pra quem ainda não conhece ir se acostumando com o que se passa nela.

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  5. Eu morro de vontade de assisti alguns episódios dessa série e esse post me deixou com ainda mais vontade. #Fato

    Ai, o passado sempre é fascinante!!!

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    1. Jaci, assista, quem gosta de Austen vai se identificar com certeza ;)

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  6. Confesso que não me interessava por essa série até começar a ver você falar sobre ela, já vi alguns livros como esse e quis assistir a série só pra ver se ia virar fã a ponto de comprá-los, porque são realmente lindos e fantásticos. Adorei a resenha, ainda mais por você ser fã de Downton Abbey, a resenha ficou com um gostinho mais doce, de admiração.

    Beijos. Tudo Tem Refrão

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    1. Ágata, tanto a série quanto o livro são imperdíveis ;) Vale muito a pena.

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  7. A série é fantástica. Assisti alguns episódios, mas acabei me perdendo e não continuei a assistir. Mas depois da resenha, preciso voltar a assistir e ter esse guia em mãos.

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    1. Lucas, a série é muito bem produzida, com um elenco incrível, e, pode ter certeza, o livro faz justiça à ela ;)

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