30 de março de 2015

Dawn Tsumetai Te Vol.01, de Shinshu Ueda [Resenha #211]

Dawn Tsumetai Te Vol1


Sinopse: Certa Noite, após deixar a escola, Nagasawa se depara com uma pessoa passando mal na rua. Ao tentar ajudá-la, o estudante acaba sendo atacado por um estranho rato. Logo após o incidente, entra em cena a figura sinistra que atende apenas como o Doutor. Ele mantém Nagasawa internado por um longo período. Quando volta para a escola, o rapaz não se lembra de nada do tempo em que ficou em recuperação.

Aparentemente curado, Nagasawa tenta retomar sua vida. No entanto, ao cair da noite, ao mesmo tempo em que estranhos casos de ataques de zumbis tomam conta das imediações da escola, o garoto começa a sentir que seu corpo não é mais o mesmo.

É a hora da caçada aos mortos-vivos ter início!!


Tenho tido muito boas experiências com os mangás da Nova Sampa ultimamente, a editora não tem medo de ousar e trazer títulos um tanto quanto chamativos, como o cult Old Boy e o excelente – e meu queridinho – Hitman. Dawn Tsumetai Te era uma verdadeira incógnita pra mim. Não sabia nada sobre ele quando o encontrei e banca, mas trazê-lo para casa me trouxe uma das melhores experiências com mangás que jamais tive, e explico.

No mangá – que tem apenas seis edições, então não é preciso muito esforço para acompanhá-lo – escrito e ilustrado pela Shinshu Ueda, conhecemos Nagasawa, um estudante que tem aspirações um tanto comuns, como ir bem na escola, participar de clubes e gostar platonicamente da moça mais bonita do lugar, que vê toda sua vida virar de cabeça para baixo quando é mordido na rua por um rato, e, após ir para o hospital, ter que ficar tomando certas medicações todos os dias.

Geralmente gosto de títulos shoujo que abordem temática escolar, mas eles acabam sendo um tanto monótonos quando o foco é apenas o romance e humor. Acho que aqui é que está a grande diferença de Dawn: além de tudo isso, a mangaká soube acrescentar muito bem momentos de tensão e doses de terror e suspense que em nada ficam devendo para os grandes títulos do gênero. Isso fez com que ficasse extremamente envolto com o enredo e chegasse ao final querendo tanto saber o que aconteceria em seguida.

E acho que tenho que voltar à Nagasawa e a mordida de rato. Nagasawa é um personagem típico de mangás com rotina escolar, não há como não simpatizar com ele, com seu amor não declarado, e com as trapalhadas das quais faz parte, ainda mais após ele ser mordido pelo tal rato. Isso muda tudo, mas tudo mesmo.

Após a mordida, Nagasawa passa a se sentir estranho, sente aflorando alguns instintos que ele considera selvagens, e numa noite enquanto voltava para a escola não consegue controlá-los, partindo pra cima de um homem que perambulava pela rua. Claro que isso o choca, mas o estranho Doutor que o atendeu no hospital explica o que acontece: Nagasawa fora contaminado, com a mordida de rato, com uma estranha doença, a Nightshift, que meio que transforma os contaminados em zumbis.

Segundo o Doutor – que é misterioso e chamado apenas assim – esta doença vem se espalhando pelo Japão, sendo dever de Nagasawa matar todos a quem encontrar e que seja também um portador da Nightshade, para evitar que ela se dissemine ainda mais. Claro que ele –e nós também – logo se questionam por que ele é quem tem essa obrigação, mas o Doutornão alivia nem um pouco a situação do garoto, dizendo apenas que ele não se preocupe, que estará “sempre por perto” quando a noite cair, ficando de olho nas atividades de Nagasawa (e, claro, se o garoto não aceitar, onde ele conseguirá os remédios que vem tomando contra o problema?).

O mangá tem um bom ritmo, somos incitados pela narrativa a descobrir o que Nagasawa tem e como isso afetará sua vida, mas tudo ganha uma importância maior quando ele sai em um tipo de encontro duplo com seu melhor amigo, uma excelente oportunidade para que ele conheça Shirai, a estudante de quem gosta.

Tudo vai bem, até que tem a ideia de entrar na escola – é fim de semana, então poucas pessoas estão por ali – e acabam ficando por lá tempo demais. E se Nagasawa “se transformar” na frente de seus amigos? Pior, ele imagina, e se atacá-los? É esse o gancho para o segundo volume, e não poderia estar mais ansioso para lê-lo.

Recomendo fortemente o mangá, ele tem uma estrutura que agrada a quem já tem certa bagagem com o formato mas que também não afasta quem está começando a ler agora quadrinhos japoneses. O traço é bastante limpo, se considerarmos que os momentos de terror e suspense sempre pedem mais “cor e confusão”, a narrativa é consistente e, como não poderia deixar de ser, mescla muito bem momentos de humor pontuais com passagens mais sombrias, aquelas que acontecem à noite e atormentam Nagasawa. E é um título relativamente curto, apenas seis edições, vale muito a pena conhecer mais este bom título da Nova Sampa.

 

Dawn Tsumetai Te Vol. 01, de Shinshu Ueda (Dawn Tsumetai Te, 2002Tradução de Karen Kazumi Hayashida, 2014) – 197 páginas, ISBN 7897780169934, Editora Nova Sampa.

{B+}

3 comentários:

  1. Até gostei do que vc disse e tal, mas sei lá... tô pensando... Vou ver se quero, rsrs.
    É que esse negócio vira um vício e tem que comprar vários... e eu tô fugindo disso.
    Mas enfim, o post tá lindo!!!!

    Bjks

    Lelê

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  2. Oi Luciano, tudo bem?
    Esse Mangá parece ser muito bom, e o fato de não ter muitos volumes é um ponto positivo, até mesmo pra facilitar a aquisição. Dica mais do que anotada.
    Abraços,
    Amanda Almeida
    http://amanda-almeida.com.br

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  3. A premissa é bem interessante, e mangás curtos sempre me atraem mais. Na verdade, ainda não me decidi sobre o que sinto a respeito de zumbis, nem sempre é meu tema favorito, mas acho bacana essa abordagem em um estilo mais jovial, traz um toque inusitado.

    Abraços!!!

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