15 de junho de 2015

A Playlist de Hayden, de Michelle Falkoff [Resenha #223]

A Playlist de Hayden


Sinopse: Depois da morte de seu amigo, Sam parece um fantasma vagando pelos corredores da escola, o que não é muito diferente de antes. Ele sabe que tem que aceitar o que Hayden fez, mas se culpa pelo que aconteceu e não consegue mudar o que sente.

Enquanto ouve música por música da lista deixada por Hayden, Sam tenta descobrir o que exatamente aconteceu naquela noite. E, quanto mais ele ouve e reflete sobre o passado, mais segredos descobre sobre seu amigo e sobre a vida que ele levava.

A PLAYLIST DE HAYDEN é uma história inquietante sobre perda, raiva, superação e bullying. Acima de tudo, sobre encontrar esperança quando essa parte parece ser a mais difícil.


O lançamento de “A Playlist de Hayden” estava envolta em um hype enorme, e promessas de uma leitura emocionante aliada a uma seleção de músicas de fazer inveja em muitas listas, mas eu não sabia muito bem o que encontrar, e posso dizer que a surpresa que tive com a leitura foi bastante positiva.

No livro, Sam tem uma discussão com seu melhor – e único – amigo, Hayden, e quando vai até sua casa na manhã seguinte, para colocar as coisas em ordem e poderem se acertar, o encontra morto, tendo se suicidado, deixando para ele um pendrive com uma playlist e um bilhete, dizendo que ouvindo as músicas conseguiria entender o que ele fez.

De cara o livro causa um impacto muito grande quando impõe ao leitor informações carregadas de sentimentos e significados, como acompanhar a dor de um personagem que acaba de perder seu único amigo e que, ainda por cima, se considera responsável pelo que aconteceu, apesar de ele não saber nem um terço de toda a história.

Essa é a levada do livro nos primeiros capítulos: Sam inventariando sua nova vida e se mortificando por não ter feito nada para impedir Hayden, além das diversas questões que geralmente um ato tão drástico quanto o suicídio é capaz de suscitar.

Ao mesmo tempo em que novos horizontes vão se abrindo na medida em que ele sabe que tem de descobrir o que acontecera “de fato” naquela fatídica noite, e que pessoas que, como ele, passaram por situações limites – e que tem mais relação com o ocorrido do que ele imagina – o procuram, mostrando-se boas opções para ele desabafar e tentar parar de se mortificar pelo que não fez, em uma situação que nada é capaz de mudar o que já aconteceu.

No decorrer da narrativa, Sam vai descobrindo que Hayden tinha seus segredos e ele se sente um pouco traído. Sinceramente não sei o quanto isso é natural ou a partir de que ponto passa a ser um ato de extremo egoísmo da parte dele, imaginar que Hayden tinha que, obrigatoriamente, orbitar ao seu redor, reportando a ele tudo que lhe acontecia. O que me leva a pensar no quanto cada um de nós guarda para si, e em como esses segredos podem ser perigosos, apesar de bastante necessários.

O livro é narrado em primeira pessoa e Sam é um personagem com quem me identifiquei sem muitos problemas, apesar dele pensar muito em si mesmo. É completamente compreensível o estado que ele fica quando perde o amigo, na confusão que surge quando sabe da parte “secreta” da vida de Hayden que ele não fazia ideia de que existia. Essa dor chega a ser palpável, ao mesmo tempo em que abre caminhos para que Sam busque seguir em frente.

Se tratando de um livro que tem parte de sua narrativa em um ambiente escolar, todos os personagens característicos também estão presentes no livro: os tímidos, os esportistas, a turma ligada em artes, o pessoal do bullying, e Astrid.

Astrid é a personagem descolada, um tanto misteriosa, que tem uma bagagem emocional semelhante à de Sam, e por quem logo ele se apaixona. Eles formam o tipo de casal por quem é natural que se torça, apesar de eu não ter conseguido me livrar da impressão do quanto era injusto que ele finalmente se acertasse socialmente enquanto seu melhor amigo estava morto, mas, se tem uma coisa que eu já deveria ter parado de esperar é que a vida seja, por si só, justa.

A playlist que Hayden deixa para Sam pode ser conferida neste site – para quem consegue ler ouvindo música, é uma boa pedida ouvir a canção de cada capítulo enquanto o lê, eu não sou multitarefa a esse ponto – tem muitas bandas que não conheço, mas existem nomes grandes, como Radiohead – não por menos conhecida como a banda dos suicidas – Arcade Fire, Florence and the Machine – com Cosmic Love, uma das canções de amor mais desesperadoras que já ouvi – entre outros.

Não captei bem o sentido da playlist no enredo, ela funciona muito bem como artifício, para instigar e intrigar o leitor, mas, tirando o fato de que a maioria das músicas falam de perdas e/ou relações difíceis, não consegui entender como ela, em um todo, poderia dizer algo à Sam.

Tem um algo a mais que gostaria de discutir mas seria spoiler. O que posso dizer é que não entendi a lógica de Sam e em como ele usa o perdão. Não fez sentido para mim, mas é uma parte pequena e que não compromete tudo o que o livro mostrou ser.

 

A Playlist de Hayden, de Michelle Falkoff (Playlist For The Dead, 2015Tradução de Amanda Orlando, 2015) – 288 páginas, ISBN 9788581637044, Editora Novo Conceito.

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{A-}

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6 comentários:

  1. Hum....Sinto que terei esses mesmos sentimentos quando ler, essa dúvida final... esse q de 'me explica?'.

    Não vou ler agora porque o livro está em casa e eu não. Infelizmente.

    Mas quando eu ler vamos debater!!!

    Bjks

    Lelê

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  2. Muito afim de ler esse livro :s devo ter lido dúzias de resenhas e a vontade só aumenta...suicídio é sempre um tema muito pesado, profundo mas também faz refletir bastante. Preciso ler!

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  3. Oi, Luciano! Eu li a amostra do livro que a NC enviou aos parceiros e achei a história triste. Por mais que o tema tenha sido discutido com delicadeza, ainda sim foi uma leitura densa. Tira o leitor da zona de conforto. Lembro que a parte do mistério aguçou um pouco minha curiosidade, mas acabei nem solicitando a obra.

    Bjs ;)

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  4. Eu recebi uma amostra de "A playlist de hayden" fiquei um tempo entre ler e não ler, mas ai adoeci e tive que passar quatro longas horas esperando a minha vez de ser atendida, foi nessa espera li a amostra grátis da Novo Conceito... O melhor mérito dele para mim foi ser de fácil leitura kkk tenho que concluir a leitura dele, quando fizer isso volto aqui ou te chamo no Twitter para discutir ;)

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  5. Acabei de ler A Playlist de Hayden. Foi uma leitura prazerosa e também não consegui captar muito a relação da Playlist com o enredo. Sam foi um personagem que me cativou e depois de juntar as partes e poder entender a cula que o amigo carrega pela morte de seu único amigo; O motivo que levou Haydem ao suicídio são bem visíveis durante a narrativa. Fica a minha pergunta será que poderia ter sido evitado? Outro personagem que tem sua importância é a Astrid.
    Gostaria de saber desse algo a mais que gostaria de discutir.
    Agora vou lá concluir minha resenha.
    Beijos
    Saleta de Leitura

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