29 de agosto de 2011

Super 8: Alguém dê um abraço no J.J. Abrams por mim

Quinta-feira, começo de tarde, saio da secretaria da faculdade feliz da vida por ter resolvido em menos de trinta minutos um problema que, pensava, me daria um trabalho daqueles, já que fazem dois anos que me formei e ainda tenho dor de cabeça com isso. Com tanto tempo de sobra, só me restou dar uma passada no shopping e ver se tinha tempo o bastante para pegar a próxima sessão de Super 8, filme pelo qual esperei mais ansiosamente este ano.

Ingresso comprado, entro na sala e vejo que a mesma está razoavelmente cheia, mas sem ninguém por perto comendo pipoca: sinal de dia perfeito para se ver um filme há muito esperado. Filme começa, sinais se concretizam, e saio maravilhado. Por favor, alguém dê um abraço no J.J. Abrams por mim!

Super 8

Segundo a história narrada pelo filme, no verão de 1979, um grupo de amigos em uma pequena cidade de Ohio testemunham um terrível acidente de trem enquanto rodavam um filme em Super 8, e logo suspeitam que não foi um mero acidente. Pouco depois, estranhos desaparecimentos e eventos inexplicáveis ​​começam a acontecer na cidade, e o delegado local, pai de um dos garotos, tenta descobrir a verdade – algo mais aterrorizante do que qualquer um deles poderia ter imaginado.

Super 8, nome relacionado ao formato de filmes lançado pela Kodak em 1965, em substituição ao antigo formato 8mm,  e paixão comum de Spielberg e Abrams; é tido como uma homenagem deste às produções de Spielberg dos anos 70 e 80 – apesar de ter negado isto em entrevistas – então vemos situações que remetem a Os Goonies, ET: O Extraterrestre, Tubarão e mesmo Parque dos Dinossauros, lançado anos após, em 93; e você se pega sorrindo, como quem diz, “Ráh! Eu entendi esta!”, ao reconhecer uma dessas referências. E o melhor é que isso ocorre várias vezes, te deixando lá com um sorrisão na cara, mesmo enquanto não sabe o que é o monstro misterioso que está rondando a pequena cidade causando tantos problemas – lembram-se de como Spielberg demorou a revelar o tubarão assassino em…Tubarão? E lembram-se do monstro misterioso de Lost, que arrancava árvores pela raiz? Ambas as coisas estão aqui.

{OBS:Talvez, e só talvez, a parte abaixo, em vermelho, pode ser um spoiler. Então, se ainda não viu o filme, pule para os vídeos com os trailers, e continue a ler o post abaixo.}

Se bem que o extraterrestre está mais para um alien, aquele do Oitavo Passageiro, com alguma consciência; do que para um ET, aquele outro, do Spielberg, com um instinto assassino.

 

O filme é um filme do começo ao fim: tem aventura, comédia, suspense, romance e drama nas medidas certas – principalmente para um filme protagonizado por crianças – apesar de forçar um pouco no início para que você se identifique e goste do personagem principal, Joe Lamb, interpretado por Joel Courtney. As primeiras cenas mostram uma recepção que acontece após o sepultamento da mãe de Joe, com ele sozinho, sentado quieto em um balanço em frente à sua casa. Não tem como ir contra os sentimentos que sempre despontam em favor de um garoto órfão. É ponto ganho desde o começo.

super-8-cena

Mas todo o filme é redondo: garotos bacanas fazendo um filme bacana em uma cidade bacana com companheiros bacanas. Até o monstro não é tão mau assim. Apesar de se tratar de uma ficção científica, Super 8 se fundamenta em bases sólidas tão bem construídas que transpira realidade: há uma narrativa envolvente e bem ritmada somada a personagens plausíveis e carismáticos, além do fato de que Abrams conseguiu utilizar os recursos tecnológicos na medida certa, mantendo assim a atmosfera do filme, que remete a década de 70. O casamento Abrams-Spielberg foi perfeito, e se puderem joguem muito arroz nele, pois quem será brindado com anos de felicidade seremos nós.

Minha cena preferida é uma das últimas, na qual Joe finalmente tem de optar entre viver para sempre apegado à memória da mãe – o que o deixa triste – ou se desligar desta devoção e se entregar verdadeiramente aos cuidados do pai. No fim, Super 8 é um filme de amor de diversas maneiras: desde a amizade, o amor ao cinema, até as saudades. Podem não concordar, mas ter saudades também é amar, só que sofrendo ainda mais.

É, fácil, o melhor filme do ano até agora.

Super 8 (Super 8 – EUA, 2011) Roteiro e Direção de J.J. Abrams. Com: Kyle Chandler, Joel Courtney, Elle Fanning, Noah Emmerich.

5a

 

Dê ou dá? O português explica?

9 comentários:

  1. Eu quero muito ver esse flme! Já saber que a irmã da Dakotta Fanning faz o filme, já me chamou a atenção. Adoro ela! E tem J.J. Abrams e Spierlberg, que devem ter feito um ótimo trabalho!
    Adorei a resenha!
    Beijos ;*

    Ana Carolina
    http://loucospor-livros.blogspot.com

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  2. Ana Carolina,

    O filme é muito bom, e não decepciona um minuto sequer, principalmente com as mentes por trás dele. Sabe que não tinha ligado as duas atrizes?? Bacana isso, rs.

    Beijos.

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  3. Esqueci de contar que assisti Bravura Indômita! Final inusitado e adorei a performance do Matt Damon.
    Parece que os cinemas da sua cidade são melhores que o daqui da roça :D
    Já me falaram da trilha sonora de Super 8 que é muito boa e nostálgica. E que os atores, mesmo mirins corresponderam muito bem às expectativas da produção.
    Eu quero assistir!! ;)
    Boa semana! Beijus,

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  4. Ah, mas eu achava que a roça era aqui, rsrs. A trilha, como o resto do filme, é bastante nostálgica - parece que eu só me lembro de comentar sobre quando ela me incomoda, rs - e casou direitinho com o conjunto. O filme todo é muito bom, tenho que assistir novamente.

    E Bravura era meu preferido este ano, até assistir Super 8, mas sabe que eu tenho um problema com Damon? Tenho que rever isso.

    Beijos.

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  5. Báh fazia tempo que eu não me animava de ver um filme, mas agora diante da tua empolgação fiquei com a maior vontade, vou ver se consigo ver quando for à civilização!!
    estrelinhas coloridas...

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  6. Mi,

    Pois é, o filme me encantou: é muito bem produzido, vale a pena. Por aqui também aproveitei uma ida à civilização para assistir, rs, boa sorte por aê :)

    Abraços.

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