25 de janeiro de 2012

Um Homem de Sorte [Resenha #036]

imageSinopse: “Mas não estava em outra época e lugar, e nada daquilo era normal. Trazia a fotografa dela consigo há mais de cinco anos. Atravessou o país por ela.” “Era estranho pensar nas reviravoltas que a vida de um homem pode dar. Até um ano atrás, Thibault teria pulado de alegria diante da oportunidade de passar um fim de semana ao lado de Amy e suas amigas. Provavelmente, era exatamente isso de que precisava, mas quando elas o deixaram na entrada da cidade de Hampton, com o calor da tarde de agosto em seu ápice, ele acenou para elas, sentindo-se estranhamente aliviado. Colocar uma carapuça de normalidade havia-o deixado exausto. Depois de sair do Colorado, há cinco meses, ele não havia passado mais do que algumas horas sozinho com alguém por livre e espontânea vontade. (...) Imaginava ter caminhado mais de 30 quilômetros por dia, embora não tivesse feito um registro formal do tempo e das distâncias percorridas. Esse não era o objetivo da viagem. Imaginava que algumas pessoas acreditavam que ele viajava para esquecer as lembranças do mundo que havia deixado para trás, o que dava à viagem uma conotação poética. prazer de caminhar. Estavam todos errados. Ele gostava de caminhar e tinha um destino para chegar.

Este foi meu primeiro Sparks. Levei um tempo considerável para ler um livro do autor, que já há alguns anos é alardeado como um best-seller – na lista dos 100 livros mais vendidos de 2011, elaborada pelo USA Today, ele emplacou três títulos. – Eu não confio em best-sellers, até já escrevi sobre em um outro blog, e acho que o texto se perdeu. Caso não, o trarei para cá algum dia.

Um Homem de Sorte conta uma história de amor, para ser mais exato, da busca e das lutas para se ter um grande amor. Logan Thibault, encontra uma fotografia no Oriente Médio, enquanto servia ao exército, e, levado a crer por um amigo de batalhão, acredita que a tal foto servira como um amuleto e, por ter escapado da guerra praticamente ileso, decide procurar a mulher da foto, como retribuição pelos “serviços prestados”. Porém, não sabe ao certo o que fazer quando a encontrar – se a encontrar, uma vez que tudo o que possui como pista são alguns dos elementos presentes na imagem – e nem imaginaria, apesar de saber que ela é linda, o que aconteceria quando chegasse lá.

Pode parecer, num primeiro momento, só mais uma história de amor, mas o interessante é ver como o escritor estrutura toda a história. Desde o começo sabemos quem é o vilão – que é pego com a mão na massa pelo mocinho, vejam só; – e somos levados a gostar do mocinho, e da mocinha. Durante a construção dos personagens, e por mais que alguns detalhes venham a ser dados ao leitor apenas no decorrer da narrativa, e não num primeiro momento, somos quase que induzidos a projetar amor e ódio a cada um deles.

Indo por partes, isso pode ser visto no fato de o vilão estar espionando estudantes tomando banho de sol, e tirando fotos delas, o que por si só já denota grande falha de caráter. Depois, temos o mocinho, que num primeiro momento é identificado como um andarilho, mas logo vemos que não é um mendigo qualquer: ele é ex-fuzileiro naval, antropólogo, com o corpo sarado, ombros largos e cintura fina, sem esquecer a loção com cheiro de coco que ele usa. Além de seu fiel cachorro Zeus. Fechando o triângulo principal temos a mocinha, Elizabeth, que ficara órfã cedo e fora criada pelos avós. Ela é loura, linda e mãe dedicada, professora de séries primárias, e filha exemplar, cuidando de sua avó como pode. Por fim temos a figura da avó, Nana, uma pessoa doce e sábia, mas sem ser arrogante, que sofrera um acidente vascular cerebral a pouco tempo, o que limita suas atividades. Não há como ir contra personagens tão meigos/sofridos/perfeitamente belos como devem ser segundo o imaginário americano. Assim como não há como ficarmos a favor do vilão.

Sparks mostrou-se um mestre em construir personagens e levar o leitor a amá-los ou odiá-los. Para isso, mostra algumas feridas que as personagens possuem e, com muita habilidade, enfia o dedo em cada uma delas, tudo para que o leitor sinta cada vez mais simpatia pelo referido personagem, e torcendo fervorosamente para que ele encontre seu caminho. Assim como mostra os desvios dos maus, e nos faz torcer pela punição. Funciona por que é simples, mas pode cansar. Veremos quando ler algo mais seu.

Não há como ler o livro sem ter a impressão de que ele foi formatado para virar filme. Está tudo lá, prontinho, tudo mastigado para um futuro roteirista: a introdução, as incertezas do começo, as coisas começam a dar certo, algo dá muito errado, e tudo por fim se ajusta. Sparks tem uma escrita agradável, simples, e as divagações e flashbacks não são tão constantes, o que me faz agradecer ele. No final, tive uma experiência interessante, e inesperadamente agradável.

Toda a simplicidade com que desenvolve a história explica por que é tão lido. Posso ler algo mais seu sem nenhum problema.

 

Um Homem de Sorte (The Lucky One, 2008Tradução de Marsely De Marco Martins Dantas) Nicholas Sparks – 349 páginas, ISBN 9788563219138, Editora Novo Conceito.

{B+}

 

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15 comentários:

  1. Sparks escreve muito bem, tô louca pra ler sse livro.

    Alê :DD

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    1. Olá Alê, se puder ler o faça, é um bom livro.

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  2. Agora em janeiro deixei os preconceitos de lado e também me aventurei com "Um homem de sorte". Me lembrou muito os livros de Rosamund Pilcher, de quem li um livro atrás do outro a tempos atrás. O problema destes autores é que quando se lê muito deles as histórias se tornam tão parecidas que eu acabo por confundir personagens e enredo, mesmo assim vale pelas horas de total descanso da cabeça, já que são bem escritas e sempre tem final feliz. Abraço!

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    1. Patrícia,

      é bem o que penso: podem ser muito parecidos, e tornar-se simples saber o final, mas na maioria das vezes, e principalmente por se tratar de uma leitura simples, é recompensador.

      Grande abraço.

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  3. Esse livro é muito show de bola...eu já li e amei muito mesmo!
    Bjus!
    http://palomaviricio.blogspot.com

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  4. Cara, me passa seu endereço por e-mail (jpmauler at gmail.com), quero te mandar o marcador de página do Fósforo.
    Abração!

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  5. Estou com o livro aqui mas ainda nao deu de ler uma tristeza é claro!!! Mas o filme eu quero ver só depois do livro, gostei da sua resenha bem legal.

    Bjs

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    1. Luana, eu evito ao máximo assistir a um filme antes de ler o livro no qual foi baseado, pois nem sempre os filmes são tão bons quanto os livros.

      Mas quando puder leia "um Homem de Sorte", acho que vai gostar ;)

      Abraços.

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  6. Luciano,

    Ainda não li nada do Nicholas Sparks, mas há algum tempo vejo muitas resenhas positivas sobre seus livros.
    Mas só essa semana, vendo a lista dos livros mais vendidos aqui no Brasil, percebi que ele é a nova febre do momento. Acho que tinha uns 3 livros dele entre os 10 mais vendidos.
    Já pensou se eu ganho a promo aqui do blog?! rs

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    1. Joelma, cruze os dedos ;) Sparks tem uma escrita agradável, bonitinha, tenho certeza de que gostará. Abraços.

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  7. Oie,
    Como assim um tempo considerável para ler, eu comecei ontem a noite e quase que não durmo de tanto que queria continuar, li 150 páginas só ontem e hoje aproveitei e li mais umas e quero chegar em casa logo pra terminar....kkkk...ta é minha primeira leitura desse autor e já estou totalmente viciada nele....demais, demais....de repente seja por eu ser tão sonhadora e romântica....espero que amanhã eu já consiga postar a resenha do livro...\o/....beijokas Elis!!!!!!!

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    1. Elis, também foi meu primeiro Sparks, e gostei da forma como ele escreve, é agradável, enfim, quero muito elr algo mais dele ;)

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  8. Muito boa história, impossível não se emocionar no final!

    Nós também escrevemos sobre ela no nosso blog, quem puder dar uma olhadinha...

    http://cartapacias.blogspot.com.br/

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Oscar