7 de abril de 2014

Manuscritos do Mar Morto – Leo Tillman & Heather Livro 01, de Adam Blake [Resenha #166]

Manuscritos do Mar Morto - Texto


Sinopse: A ambiciosa policial Heather Kennedy está em seu trabalho mais difícil: seus métodos de investigação são criticados e ela está sendo assediada por colegas rancorosos porque não lhes dá atenção. Até que lhe é atribuída o que parece ser uma investigação de rotina, sobre a morte acidental de um professor da Faculdade Prince Regent, mas a autópsia deste caso volta com algumas descobertas incomuns: o inquérito vincula a morte deste professor às de outros historiadores que trabalharam juntos em um obscuro projeto sobre um manuscrito do início da Era Cristã. Em seu escritório, Kennedy segue com sua investigação e logo se preocupa com o rumo para onde está sendo levada. Mas ela não está sozinha em sua apreensão. O ex-mercenário Leo Tillman — seu futuro parceiro — também tem angustiantes informações sobre estes crimes. E sobre a misteriosa organização mundial a que os crimes se relacionam… Escondido entre os pergaminhos do Mar Morto, um códice mortal pretende desvendar os segredos que envolvem a morte de Jesus Cristo. Entre um terrível acidente de avião no deserto americano, um brutal assassinato na Universidade de Londres e uma cidade-fantasma no México, Manuscritos do Mar Morto é o mais emocionante thriller desde O código Da Vinci.


A primeira coisa que chama a atenção em “Manuscritos do Mar Morto” é o fato de o relacionarem com “O Código Da Vinci”, do Dan Brown. Eu devorei o “Código” quando o li, e por mais mirabolante que possa ser o tema central da narrativa, eu gostei, me manteve preso o tempo todo. Do autor li somente mais um livro, o “Fortaleza Digital”, que deu pro gasto, não se compara ao Código mas também não faz feio. Então fazia muito tempo que não lia algo do tipo – excetuando a série “Operação Cavalo de Troia”, que estou relendo aos poucos os primeiros volumes – e queria mais uma vez ter em mãos uma narrativa que coloca em xeque, como bom garoto educado sob preceitos católicos, minha boa vontade para algumas “heresias”. E eu tendo a sempre me surpreender com o quanto sou flexível e tolerantes com elas.

Em “Manuscritos do Mar Morto”, escrito pelo autor Mike Carey sob o pseudônimo de Adam Blake, conhecemos Heather Kennedy, uma policial inglesa ambiciosa que se envolvera numa desastrosa operação policial e perdera todo o crédito e apoio de seus colegas ao se recusar a seguir a trilha mais fácil para a dissolução de seus problemas. Como que para puni-la, seu chefe a coloca em um caso de morte suspeita, cujas pistas já deveriam ter esfriado e que nada de mais importante poderia ser descoberto; além de ter de trabalhar com um detetive novato, em seu primeiro caso no posto.

Mas antes disso conhecemos o xerife Gayle comendo um sundae em uma lanchonete, quando é chamado para uma emergência, a queda de um avião que vitimara algumas centenas de pessoas e que, por puro azar, caíra bem “no seu quintal”.

Como era de se esperar, acaba que a investigação de Kennedy e seu parceiro se mostram mais frutíferas do que poderiam imaginar, e começam a linkar a morte aparentemente suspeita a outras duas, todas de historiadores, que morreram em um curto espaço de tempo. Kennedy sente que tem algo a mais ali, então seguem com suas investigações.

Num outro extremo, o autor nos apresenta Leo Tillman, um mercenário que, há treze anos, persegue um nome, Michael Brand, que parece se mover feito um fantasma, deixando poucas pistas, mas que, ele acredita, é a peça chave para que ele finalmente descubra o que aconteceu com sua família. Para não me estender muito, a necessidade faz com que Kennedy e Tillman trabalhem juntos, já que aparentemente o tal Brand é um interesse em comum dos dois.

O livro segue a linha dos livros policiais que questionam tudo o que conhecemos sobre determinada religião, inclusive subvertendo a ordem que a tradição fez parecer lógica. Como ponto central, questiona “o que será que os cristãos diriam se Judas não fosse o cara mal da história?” A questão não é tão chocante quanto o “o que será que os cristãos diriam se Cristo tivesse filhos?” do Brown, mas também nos coloca para pensar.

E não consigo evitar comparações com o “Código”. Entre Brown e Blake, o primeiro tem uma larga vantagem: seu discurso é mais claro, charmoso, melhor elaborado. Não que Blake não consiga sustentar aquilo que sugere – bem, ele dá uma ou duas escorregadas, mas no final se mantém de pé – mas acho que ele sofra do mal que é o “eu sei para mim, mas não consigo passar para você”. Algumas coisas parecem soltas e dão a impressão que faltou um outro ponto no qual pudéssemos nos agarrar para que saíssemos satisfeitos com a questão levantada.

Mas eu entendo. É complicado se falar de evangelhos apócrifos, fé e religião em um livro que é feito para um espectro amplo de leitores. Como dosar bem o que se que dizer para não pecar pelo excesso ou pela omissão? Pensando assim, acho que o que ele nos entrega é o suficiente, mas não para encantar.

E, de toda forma, não é pouco. O livro tem boas cenas de ação, viagens intercontinentais, mortes e doses de mistério que, aos poucos, vão se conectando, terminando por chegar no Xerife Gayle e seu acidente aéreo. A revelação final não é uma Brastemp, mas dá uma margem suficiente para que a busca de Tillman seja explorada em outros títulos da série – já foi lançado o “O Código do Apocalipse”, também pela Novo Conceito.

Vou seguir acompanhando Tillman e Kennedy. Por tudo o que vi em “Manuscritos”, aposto no crescimento do autor, e, todos sabemos, ainda existem muitos mistérios a se desvendar.

 


Manuscritos do Mar Morto
, de Adam Blake (The Dead Sea Deception, 2011 Tradução de Camila Fernandes, 2014) – 480 páginas, ISBN 9788581632742, Editora Novo Conceito. [Comprar no Submarino]

{ B }

16 comentários:

  1. Luciano, sua resenha me lembrou mesmo de Dan Brown. Acredita que nunca tive curiosidade de ler a obra dele? Meu noivo leu, e adorou, mas essa vibe policial parece que não combina mesmo comigo rs

    Parabéns pela tolerância e flexibilidade, estamos sempre precisando num mundo como o nosso!

    Um abração! ;)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Jéssica, eu gostei bem mais do Brown, achei ele mais desenvolto, domina mais a narrativa. Mas o Blake não fica muito atrás não, no geral gostei do livro.

      Excluir
  2. A proposta do livro me parece interessante, mas como não li O Código ainda, eu acho que dispensaria Manuscritos e optaria por Dan Brown mesmo, indo direto ao ponto. Eu entendo que ninguém é perfeito e autores podem errar e ter seus méritos, mas um autor não pode sofrer dessa síndrome de não saber transmitir uma ideia, isso é o mínimo do mínimo de sua profissão.

    Abraços!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Então, em um "confronto direto" acho que o Brown sempre levaria a melhor. O Blake fica como opção para quem já leu a obra do outro e quer algo a mais.

      Excluir
  3. Vish! Eu estava com medo de ler este livro e me manter nas comparações. Já vi que será impossível.
    Li Código, amei demais!!! Muita discussão e aventura pra um livro só. Será que vou conseguir ler este e me esquecer disso??
    Confesso que estou com medinho, rs.

    Agora quanto a resenha, só posso dizer que é impecável, linda, excelente...
    Amei!!!

    Bjkas

    Lelê
    http://topensandoemler.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Lelê, é praticamente impossível não se fiar nas comparações, mas no final das contas a leitura do livro até que compensa.

      Excluir
  4. Estou curiosa a respeito dessa leitura, mas ainda não me apliquei pq sinceramente tenho um certo receio, depois de ler a maioria dos livros do Dan B. os demais ficam parecendo uma versão mais fraca..... mas vou ler sem expectativas.... fica bem melhor ^^

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Kézia, exato! Brown é um narrador habilidoso, consciente, e é muito difícil se igualar a ele num gênero que ele é o maior expoente dos últimos anos. O melhor mesmo é ler sem expectativas, assim ninguém começa perdendo ;)

      Excluir
  5. Então no fim o livro não é uma Brastemp, mas da para levar néh?!?! kkk... Eu não sou o que se pode chamar de fã de Dan Brawn, mas isso é só implicância minha por o homem sabe escrever uma narrativa envolvente e faz de um historiador um verdadeiro herói, se eu não fosse tão chata faria dele o "meu herói!" hahah.... "Manuscritos do mar morto", por tudo o que você disse me parece ser um livro instigante para quem gosta de uma boa aventura e de contestar os dogmas do cristianismo. Não é bem minha praia, mas tá valendo néh?!?!

    Cheros Luciano!!!

    ResponderExcluir
  6. Achei bem interessante o livro e realmente se ele se parece um pouco com o código vale a pena a leitura. Fiquei grudada no Código até terminar, o livro me prendeu totalmente. O que já não aconteceu com o Anjos e Demônios do mesmo autor! :( Quem sabe um dia ele mereça uma chance nas minhas leituras, por enquanto está na lista somente! Adorei a resenha. Bjoks da Gica.

    umaleitoraaquariana.blogspot.com
    @GicaTeles

    ResponderExcluir
  7. Opa...mas como assim não encanta??? Ai ai ai, li umas resenhas muitos boas desse livro, espero gostar mais que você e devido a minha cabeça avoada nem notar os deslizes...shuahua....vou ter que ler para ver o que acho, mas gostei das suas comparações e sinceridade...beijokas elis!!!
    http://amagiareal.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

Olá, seu comentário é muito importante para nós.

Nenhum comentário aqui publicado sofre qualquer tipo de edição e/ou manipulação, porém o autor do blog se reserva o direito de excluir todo e qualquer comentário que apresente temática ofensiva, palavras de baixo calão, e qualquer tipo de preconceito e/ou discriminação racial, estando assim em desconformidade com nossa Política de Privacidade.

Oscar