10 de julho de 2014

De Repente Acontece, de Susane Colasanti [Resenha #177]

De Repente Acontece - Texto


Sinopse: De repente acontece fala daquelas paixões que começam do jeito errado e têm tudo para terminar errado – mas, depois de ler a última página, a gente acredita que o amor existe. Se você é uma menina, este livro vai ajudá-la a entender o que se passa na cabeça dos garotos. Se é um menino... Bem, se você é um menino, também vai gostar de De repente acontece. Uma história simpática, com cara de vida real. E que poderia acontecer com você ou com a sua melhor amiga!


Algum tempo atrás tive um momento um pouco conturbado, as leituras não fluíam como deveriam e eu queria ler um livro simples, que me proporcionasse uma leitura “de perfumaria”, coisa de momento. Daí me lembrei que eu tinha uma pendência com a autora Susane Colasanti, e que seria um bom momento para resolver esta questão.

Quando li o “Bem Mais Perto”, há quase dois anos atrás, eu felicitei a autora por, entre outras coisas, ser um livro bem escrito e pelas críticas ao sistema tradicional de ensino que ela fazia durante a narrativa. Não era o foco, claro, mas achei bem colocadas as opiniões que ela teceu em um momento ou outro. Assim, fui com alguma vontade ler o próximo lançamento da autora por aqui, o “Esperando Por Você”, e tudo corria de forma semelhante ao “Bem Mais Perto”, até que a personagem principal afirma que o fato de ela estar com depressão se deve à sua “falta de vontade de ser feliz”. Ah, vá! Felicidade não é pompoarismo.

Depois disso passei batido pelo próximo livro dela, o “Tipo Destino”, mas resolvi dar uma chance ao “De Repente Acontece”. Era a hora de tirar a nega.

O livro tem a formatação típica dos outros trabalhos da autora: um ambiente escolar potencialmente hostil para quem não está no topo da pirâmide alimentar, estereótipos, e uma mocinha com uma vida conturbada e desejos sexuais incipientes. Assim conhecemos Sara, e suas amigas, Lana e Maggie. Sara e Lana estão entre as mais inteligentes da turma, e destoam um pouco de Maggie, que tem um perfil mais “popular”, porém escolheu a amizade ao invés do status. Sara vive com a mãe, que engravidara na adolescência e, tendo criado a filha sozinha, faz questão de lembrá-la o quanto ser mãe tão cedo lhe tolheu a juventude, então ela vê em sua ida à universidade uma oportunidade de fugir do ambiente pesado em que vive.

Sara tem as qualidades de uma mocinha: ela é estudiosa, responsável, introspectiva, gosta de artes e fantasia o namorado perfeito, que, no verão anterior ao último ano escolar antes da faculdade, é Dave, um dos garotos mais bonitos da escola. Eles trocaram algumas palavras e o telefone, mas ele não ligou para ela no verão, então ele não sabe o que pensar. E, claro, correndo por fora, e como não poderia deixar de ser, temos o rebelde Tobey. Apesar de ter capacidade de render muito mais durante as aulas, ele se esforça apenas para ter notas o suficiente para ser aprovado, e tem como principal objetivo fazer de sua banda de garagem uma banda de sucesso.

A narrativa se baseia em indecisões e escolhas, e cabe a Sara fazer as mais difíceis. Não sei, eu sempre acho as mocinhas de livros do gênero perfeitas demais. E, num grau tão alto quanto, os outros personagens também. Quando se fala em faculdade, por exemplo, nesses livros você logo percebe quem não está nem aí com nada, e quem realmente se esforça para ter um futuro. Eu fico olhando com desconfiança para a pilha de trabalhos e testes e entrevistas e etc que todos eles fazem para serem aprovados. Gostaria de ter tido esse gás. No último ano do colegial eu só queria me livrar de tudo aquilo e talvez por isso tenha dado um urro tão grande e feito uma dancinha tão ridícula quando  coloquei as mãos em meu diploma – e agradeço por ser da velha-guarda: se, na época, celulares com câmera fossem populares como hoje, eu estaria acabado….

No fim, é um pouco difícil falar sobre o livro. Ele não me causou tantos questionamentos e era exatamente isso que eu esperava dele, então não posso reclamar. No quesito despreocupação, a Susane Colasanti continua bastante competente, mas talvez isso se deva ao fato de que aquelas preocupações que ela enumera não fazem mais parte das minhas listas de prioridades. Assim como no texto fluído. Ela sabe como conversar com seu público, sabe emular preferências, e não parece uma tia quadrada em momento algum.

Acredito que fiz as pazes com ela, mas acho que o grande problema é que fui um leitor equivocado. Seus livros não precisam de e não funcionam sob expectativas. É coisa simples. Mas diria até que, se considerando o gênero em que se encaixa, acima da média.

 

De Repente Acontece, de Susane Colasanti (When It Happens, 2006 Tradução de Vera Caputo, 2014) – 288 páginas, ISBN 9788581633183, Editora Novo Conceito. [Comprar no Submarino]

{C+}

 

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12 comentários:

  1. Faculdade é uma época da minha vida que foi gostosa, mas da qual não sinto falta, algumas pessoas gostaria até de riscar do caderninho. Eu acabei recentemente de ler "O festim dos corvos" então ando numa ressaca literária que você não tem noção, preciso de algo leve para ler, estou em busca de um romance de banca da minha coleção, um daqueles bem bobinhos, nada hot, nada com nada, com um bom felizes para sempre sabe? Mas, talvez, numa dessas a Susane até calhe bem néh?!? A Novo Conceito sempre tem boas promoções no e-books \o/

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    1. Sempre tem um chato pra atormentar na faculdade, não tem jeito. Se precisa de algo bem leve parte para os livros da Colasanti, mas eu, pessoalmente, devo dar um tempo com ela!

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  2. Agora fiquei com muita vontade de ler, rs. Mais um que entra pra minha lista, acho que vou começar a autora por esse, já que parece ser um dos melhores,
    Beijos,

    viajandoentrepalavras.blospot.com.br

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    1. Caroline, eu ainda acho o "Bem Mais Perto" melhor, ma vale a pena começar por esse também ;)

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  3. Oie,
    Bem eu gostei muitoooo desse livro, só posso dizer que tenho de conferir os outros para comparar. Tão bom ver como cada leitura tem um impacto diferente no leitor, por causa de sua carga literária.

    Beijocas Elis - http://amagiareal.blogspot.com.br/

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    1. Elis, leia o Bem Mais Perto, se gostou deste entãotenho certeza de que se dará bem com ele.

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  4. Luciano, existem aqueles livros que as expectativas só estragam TUDO. Eu fico com muito receio quando isso acontece e tento diminuir as expectativas ao máximo antes de ler qualquer livro, sei o quanto elas podem acabar com uma leitura. :(
    Nunca tive vontade de ler algo da Colasanti, acho que já se tornaram um pouco superficiais demais, sabe? Mas quem sabe em um outro momento, não é verdade? Nunca é tarde!

    Um beijo,
    Luara - Estante Vertical

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    1. Luara, também tenho tentado fazer isso, mas geralmente as expectativas estragam a experiência de se ler um livro. Olha, ela escreve bem, mas a temática é bobinha. É só pra desestressar mesmo.

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  5. Fico com vontade de ler mas esses livros assim me deixam tão mal e ainda muitos demoram pra andar. Sua resenha é boa mas ainda não sei se seria o tipo de livro pra mim


    http://penelopeetelemaco.blogspot.com.br/

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    1. Telemaco, este tem um bom ritmo - a Colasanti tem um bom ritmo - então acho que você não estranharia não.

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  6. Hm... concordo no que você diz sobre os personagens do gênero. Parece irreal, uma coisa meio novela, não faz muito o meu tipo. O livro parece ser aquela leitura mediana despretensiosa, mas como tempo é dinheiro hehehe, acho que vou passar.

    Abraços!

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