23 de julho de 2014

Death in Paradise – Terceira Temporada

Death in Paradise

Este post potencialmente apresenta spoilers para quem deseja acompanhar a série. Estejam avisados.

Eu fico muito puto quando, em uma série de tv, um personagem de quem gosto bastante, sai de cena. E não importa muito o motivo: morte, desaparecimento, casamento, um pedido de um salário maior por episódio. Fico me perguntando se eles não pensam nos fãs, no impacto que isso trás para a narrativa da série, e no quanto serão odiados por isso. Se o personagem em questão é o protagonista, fico ainda mais incomodado: é complicado se substituir um coadjuvante, o que fazer então quando aquele que é “a cara” do programa tem de ser substituído?

Neste ano, Death in Paradise, uma das séries de que mais gosto, passou por isso. O excelente ator Ben Miller, que interpretava o Inspetor Richard Poole, protagonista da série, pediu para sair, e, como os produtores e a BBC decidiram por manter a série no ar, ele teria de ser substituído.

Isso foi providenciado, e a forma como encontraram para resolver a situação e explicá-la me irritou bastante, até chutei o pau da barraca nesse post, onde falo sobre as duas primeiras temporadas da série. Mas, passados os oito episódios da terceira temporada, o que achei da substituição?

Pra começar, o modus operandi da série continua o mesmo: há um crime, e ele é investigado pela polícia de Honoré, tendo um oficial britânico como chefe designado ao protetorado. Este oficial, por sinal, é quem carrega a veia cômica do programa, em grande parte tendo relação com as dificuldades de adaptação de um cidadão londrino ao clima tropical da ilha, com sol forte e areia em todo lugar.

Quanto aos episódios, ainda mantenho minha reclamação quanto à resolução do crime. em muitos deles o telespectador ainda fica de fora de alguns passos da investigação, raramente podendo chegar por si só ao assassino se não se utilizando de achismos. Aqui eu mantenho a crítica que fiz no post anterior sobre a série. Em um programa policial – assim como em livros do gênero – o que é apresentado tem de abranger seu público, dando a ele condições de acompanhar os passos da investigação e chegar com o detetive à solução do crime, ou, pelo menos, crer que ela é plausível. Ele tem que ser feito parte do show, não um mero curioso que acompanha tudo à distância.

Mas meu maior problema havia sido no que diz respeito à substituição do Inspetor Richard Poole pelo Inspetor Humphrey Goodman, interpretado pelo ator Kris Marshall. Eu achei a forma como lidaram com isso infantil demais, injusta demais, e improvisada demais. Sigo achando. E, ainda, acredito que foi uma forma de se evitar efeitos colaterais como os fãs rejeitando a nova figura em evidência e pedindo o retorno da antiga. Se Conan Doyle teve que ressuscitar Sherlock Holmes, imaginem o que o público não exigiria de um programa de tv?

Death in Paradise

O choque pela perda de Richard foi bem retratado no primeiro episódio da série, os outros personagens demonstram a perda, em especial Camille – interpretada pela excelente Sara Martins – que eu apostava engataria em um romance com ele; e há aquela sutil rejeição à figura de um novo chefe que chega para ocupar o lugar deixado por alguém tão querido e morto de forma tão traumática. Mas isso se esvai rápido demais, e, em dois ou três episódios Richard fica sendo mera sombra, os traumas vão sendo superados de uma forma que se parece com sujeira varrida pra debaixo do tapete.

Porém minha reação inicial à figura de Humprey foi exagerada – porém condizente com a de um fã sincero. No decorrer desta terceira temporada ele se mostrou digno de confiança, tanto como detetive competente à frente da delegacia de polícia de Honoré, quanto como personagem. ele é um tanto caricato, então temos a difícil aclimatação ao calor, mas ele é mais “relaxado” que Richard, que tinha os ombros um tanto tensos o tempo todo. E ele é desligado: nunca tem um bloco de anotações á mão, então já escreveu depoimentos até em folha de bananeira, e tem um dom natural de esbarrar em tudo que vê à frente.

Death in Paradise

Apesar de casado, ele chega à Ilha de Saint-Marie sozinho, dizendo que sua esposa viria mais tarde. Os produtores da série parecem desesperados para formar um casal, só pode!, mas foram inteligentes o suficientes para não forçarem nada logo de cara, uma vez que Camille ainda era fortemente vinculada à Richard.

A série já foi renovada para sua quarta temporada, e fiquei feliz com isso. Não é a mesma coisa com Humprey, mas ele se mostrou um personagem capaz de, à sua maneira, somar ao que vinha sendo construído com o programa. Até mesmo para minha surpresa, me pego ansioso.

 

Death in Paradise (Death in Paradise – UK, Season 3: 2014) Criada por Robert Thorogood. Com Ben Miller, Sara Martins, Kris Marshall, Danny John-Julles, Gary Carr. BBC Drama Group. Créditos completos aqui.

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6 comentários:

  1. Eu ia ler tudo, mas fiquei com medo de pegar um spoiler. Mas como eu acabo adorando quase todas as séries que você indica aqui, talvez eu volte para confabularmos - ando muito sem tempo, não consigo assistir nada =(

    Mas eu também fico meio puta quando um personagem se vai sem motivo. Tipo Downton Abbey, né? Apesar de certas mortes criarem twists incríveis, eu preferia que um personagem morresse porque é o melhor pra série do que porque ele decidiu não renovar o contrato. Povo chato hauahuahuahua

    Abraços!!!

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    Respostas
    1. Hahahaha! Melhor não ler mesmo ;) espero que dê uma chance à série, ela tem seus problemas, mas compensa.

      Atores ingleses são imprevisíveis, uma hora está tudo bem, na outra tchau e até nunca mais. Downton Abbey vem sofrendo muito com isso, e o pobre Fellowes tem que se desdobrar pra dar um jeito nos roteiros.....

      Dois abraços!

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