22 de maio de 2015

O Destino de Júpiter [#Filme]

O Destino de Júpiter

Faz muito tempo que não falo sobre filmes aqui no blog, confesso que tenho certa dificuldade, tanto que não consegui comentar a respeito de títulos muito bons que assisti, como Gravidade e Interstelar, mas eu preciso falar sobre “O Destino de Júpiter”, novo filme dos Irmãos Wachowski.

Os Wachowski até hoje são mais conhecidos pela trilogia Matrix, que mudou a forma de se fazer cinema, abusou dos efeitos especiais e vendeu horrores de cópias em dvd, e colocou os irmãos em um pedestal, cobrindo de um hype gigantesco tudo o que eles viessem a dirigir. Mas existe um porém: desde Matrix Revolutions, ultimo filme da trilogia, lançado em 2003, eles colecionam orçamentos astronômicos, críticas negativas e bilheterias um tanto modestas.

Talvez por isso seus últimos filmes tenham me escapado completamente: sequer fiquei sabendo do lançamento de Cloud Atlas, em 2013, e só por um acaso gigantesco tomei conhecimento de “O Destino de Júpiter”. Mas como fiquei feliz em assisti-lo, pra mim, não deve nada a um Avatar da vida.

O Destino de Júpiter

No filme, que é descrito como uma space operaMila Kunis é uma imigrante russa que vive nos Estados Unidos, trabalhando como faxineira. Seu pai, astrônomo, fora assassinado durante um roubo antes que ela nascesse, mas ela foi batizada pela mãe segundo o desejo do pai, como Júpiter, o mais belo e misterioso planeta do sistema solar. Ela segue uma rotina complicada, acordando cedo e trabalhando duro todos os dias, até que uma série de estranhos seres tentam assassiná-la, e ela é salva por Caine, o boa gente do Channing Tatum.

E aqui acho melhor que lhes explique o universo do filme: nele, uma raça de seres superiores nos criou há milênios atrás (sim, nós, o humanos. Foram eles, inclusive, que causaram a extinção dos dinossauros, assim como um fazendeiro mata uma raposa), pois eles são dotados de um amplo conhecimento em re-engenharia genética. Entre as famílias mais influentes desta raça está os Abrasax, cujo irmãos, Balem, Kalique e Titus dividiram entre si os planetas pertencentes à família, após a morte de sua mãe, ficando com Titus o mais valioso dentre todos eles: a Terra.

O Destino de Júpiter

Mas o que estes seres tem a ver com a Terra e com Mila Kunis?

Os Abrasax acreditam em algo que por nós é visto como ressureição, mas para eles é apenas DNA: às vezes, em certo lugar do Universo, surge uma pessoa com um código genético exatamente igual a de alguém que já faleceu, é a chamada Recorrência. Acontece que Júpiter (Kunis) é a recorrência da mãe dos irmãos Abrasax.

Então estão todos felizes, vocês me perguntam? Não! Eles são falsos, vaidosos e egocêntricos, e o ressurgimento da mãe, mesmo que apenas em DNA, pode alterar a estrutura de poder da família, mudando em especial a sucessão do “proprietário” da Terra. Por isso Balem, o atual dono, quer Jupiter morta; e, por motivos semelhantes, Kalique, sua irmã, e o bonzinho – ?? – Titus, se aproximam da moça, exibindo sorrisos largos e uma gama enorme de boas intenções.

O Destino de Júpiter

E aqui eu abro um parêntese especial só para aplaudir o Eddie Redmayne, que faz um vilão perfeito, dando uma personalidade única ao maluco Balem. Toma, Redmayne, é teu.

E a Terra é a maior fonte de recursos que a família tem no Universo, por isso é tão valiosa.

No começo tive um problema com o ritmo narrativo do filme. Como os Wachowski não tinham uma sequência para trabalhar o enredo, o tempo para contar a história era curto, assim, foi preciso introduzir a Júpiter na realidade universal e fazê-la acreditar que era verdade – afinal, seres estranhos e naves cortam os céus atrás do seu pescoço – o que pode ficar parecendo um pouco forçado, mas o tom de deboche com que ela vai assimilando tudo torna as coisas mais leves, a gente aceita e pronto.

O Destino de JúpiterO Destino de Júpiter

As batalhas são muito bem feitas, como se era de esperar de uma produção dos irmãos. As terrestres são muito bem coreografadas, atores se mesclam a luzes e sons de uma forma bastante harmônica; e as batalhas aéreas são de tirar o fôlego, com tomadas de câmera que abusam das sensações de velocidade e altitude, podendo até causar algumas impressões vertiginosas no espectador. Além disso, os efeitos especiais são muito bem usados, toda uma nova realidade nos é apresentada, com civilizações inteiras sendo mostradas e espaçonaves que lembram mariposas e que tem um que de Roma antiga, algo que não me lembro de já ter visto em outra produção.

Mas é impossível assistir ao filme e não fazer dois tipos de comparações:

– Com Star Wars

O Destino de Júpiter é uma Space Opera, então temos um enredo que se passa – ao menos em parte – no espaço, com ambientação e personagens exóticos, além do clima de romance que surge entre os protagonistas. Assim como Star Wars, vemos dezenas de personagens com aparências estranhas, muitas vezes animalescas – que é explicada pela atuação da família Abrasax nos planetas, mas não vou dar detalhes sobre – e cenas de batalhas vertiginosas com naves ao som de música orquestrada, que dão a elas um tom mais sério, definitivo.

– Com Matrix

Os Wachowski têm uma certa obsessão em ver a Terra como um grande campo de cultivo – e é, claro, mas eles se referem explicitamente a cultivo de humanos. Em Matrix, após as máquinas criarem consciência e tomarem o poder, e após a tentativa do homem de bloquear o sol, sua fonte de energia, eles começam a “cultivar” humanos em grandes fazendas, tirando de seus corpos a energia necessária para sua manutenção – e colocando-os em um estado de “sonho”, na Matrix. Em O Destino de Júpiter, [SPOILER A PARTIR DAQUI, SELECIONE PARA LER] os Abrasax são produtores de uma substância que lhes permite regenerar suas células, o que de certa forma lhes permitem viver por tempo indefinido, e essa substância é retirada, no caso da Terra, dos corpos dos humanos, e, no período em que se passa o filme, Balem Abrasax, responsável pelo planeta, está prestes a fazer uma colheita. [SPOILER ATÉ AQUI].

E temos o herói. Se em Matrix, Neo, o herói esguio tornava todas as cenas em slowmotion e wire-fu extremamente elegantes, o que fazer para que o gigante Channing Tatum passasse a mesma impressão? Simples: dê para ele um par de patins gravitacionais! Tatum – ou melhor, Caine – desliza pela tela com uma leveza surpreendente, e uma rapidez que chega a ser difícil de acompanhar em alguns momentos, subvertendo todas as leis da física como todo bom filme de ficção científica tem de fazer.

O Destino de Júpiter

Mas “O Destino de Júpiter” é um bom filme de ficção científica? É, mas muita gente tem cometido o erro de compará-lo aos também excelentes “Gravidade” e “Interstelar”. Não é por que ele tem cenas espaciais belíssimas que ele pode ser comparado com estes dois, já que ele não é um drama, é basicamente uma fábula de ação, uma space opera, então está muito mais próximo dos filmes Star Wars que de qualquer outro filme que se passe no espaço.

E acho que, de forma geral, as pessoas se acostumaram a cobrar horrores dos Wachowski, enquanto aceitam muita enrolação e enredos com sensação de “já vi isso antes” de caras como o James Cameron. Complicado isso.

Gostei bastante do filme, ele tem alguns deslizes no enredo, claro, mas me diverti até mesmo nos diálogos mais estranhos, e essa opção por mesclar algo extremamente sci-fi com eras antigas caiu muito bem. E ainda podemos rever o Sean Bean! Recomendo fortemente.

 

O Destino de Júpiter (Jupiter Ascending – USA, 2015) Dirigido por Andy e Lana Wachowski (The Wachowskis). Com Mila Kunis, Channing Tatum, Eddie Redmayne, Sean Bean. Créditos completos aqui.

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7 comentários:

  1. Meu, qualquer coisa que seja inspirado, lembre, copiou, ou fez quase igual Matrix eu já gosto! hahahaha.

    Nem sabia da existência desse filme. Choquei!!!!! Claro que quero assisitit.

    Anotei aqui na minha agenda o nome dele. Um dia eu consigo.

    Adorei!!!!!!!!!!!

    Bjks

    Lelê

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  2. Oi Luciano!
    Acredita que nunca tinha ouvido falar nesse filme? Nem no Cloud Atlas que você citou! E olha que eu amo Matrix.
    Adorei as imagens, o visual do filme deve ser maravilhoso! Eu adoro ficção científica, então quero ver esse filme! Prometo não compará-lo com os outros, porque isso de comparação também me irrita.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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  3. Concordo com o que você diz a respeito da crítica. Avatar é ok, Frozen é ok, mas caras que realmente trazem algo novo são massacrados. Não vi o filme - nem Star wars eu vi, pra começo de conversa - mas sempre tive aquela impressão de ser um filme que enche linguiça, muito por causa das críticas que li.

    Agora já posso enxergar o filme sob outra perspectiva e dar-lhe uma chance, apesar de não ser meu gênero favorito.

    Abraços!

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